terça-feira, 27 de dezembro de 2011



24/12 (sexta-feira)
Valladolid

"No quiero oro ni quiero plata.
Yo lo que quiero es romper la piñata."



Em Valladolid se realiza uma brincadeira bem divertida às vésperas do Natal. Provavelmente ela ocorra em outras partes do país, uma vez que estava acontecendo na época natalina. É uma espécie de quebra-pote ou balão cheio de doces que adultos e crianças no Brasil quebram ou estouram nas festas de aniversário ou outras comemorações. No caso de Valladolid a peñata é uma espécie de estrela bem colorida com um núcleo redondo no qual se colocam os doces. Em Valladolid a brincadeira acontecia durante a festa da Igreja. Enquanto o padre cantava alegres canções acompanhado por um vilonista, uma cantora e crianças que ele chamava ao microfone, a estrela, pendurada por uma corda, era suspendida e rebaixada por um rapaz que fazia isso a largos risos. Isso acontecia porque abaixo da estrela estavam inúmeras pessoas - crianças, jovens, velhinhos - esperando a queda dos doces. Foram as senhoras idosas que iniciaram a brincadeira. Quando a estrela era rebaixada elas saltavam dando socos ou batendo com uma espécie de bastão na estrela. Quando esta era rompida o moço da corda a balançava de modo que ela sobrevoava e despejava doces sobre as pessoas. Quando os doces não caiam mais sozinhos outro moço sabia numa cadeira e os jogava para as pessoas. Era uma alegria só. Depois foi a vez das mulheres um pouco mais jovens e depois os moços jovens.
Saímos da festa e parecia que a brincadeira ainda ia longe...

QUADRO DO RIVERA SOBRE JOGO DE PIÑATA:




Numa espécie de mercado cheio de pequenos quiosques de comida, descobrimos a Loncheria do Sr. Canul, um simpático senhor de 60 anos que nos apresentou a melhor sopa de pollo com lima (frango e limão) do México, segundo ele.

EU, SEU CANUL E ANGELA

Além de passearmos pelas ruas de Valladolid alugamos bicicletas e fomos conhecer dois cenotes a cerca de 5km da cidade.

CALLES DE VALLADOLID




























CENOTES ACERCA DE VALLADOLID



QUANDO SAÍMOS DO CENOTE CONHECEMOS DUAS LINDAS MENININHAS MAIAS: Maria Candelária e OUTRA CUJO NOME NAO CONSIGO ME LEMBRAR. ME PARECEU UM NOME MAIA. Maria Candelária (A DE BLUSA BRANCA) NOS RECITOU UM VERSO EM LINGUA MAIA.


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CENOTES ACERCA DE VALLADOLID





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

23/12 (quinta-feira)
Valladolid
Chichén Itzá



De todos os sítios arqueológicos conhecidos até o momento Chichén Itzá não foi para mim apenas o mais bonito, mas, sobretudo o mais emocionante. Além da beleza arqueologia (o sítio é enorme, com grande e belas construções), estamos numa verdadeira aldeia maia. Há muitos deles vendendo suas artesanias. É como se as peças, os monolitos e as máscaras do Museo de Antropologia do DF criassem vida. São eles que estão agora de calça jeans, boné e tênis hablando conosostros.









A cada parte do sítio que andamos temos uma surpresa. São belíssimas construções com desenhos em seus grandes tijolos. Cada um tem um significado bastante complexo nos explicam os guias (sempre senhores de idade, nunca há guias jovens). Há um grande campo para juego de pelota (o Maracanã deles, como disse aqui Angela). Em cada time havia um capitão que ficava parado em um posto fixo no alto de uma espécie de arquibancada. Os jogadores lhe jogavam a pelota. Se ela batesse no circulo de concreto (a trave deles) fazia-se um ponto. Se ela entrasse no buraco que há no centro desse círculo, ganhava-se o jogo. O capitão do time campeão tinha a cabeça decepada. Aos deuses deveria ser oferecido o que se tinha de melhor entre os homens. Seus futebol tinha, assim, uma função sagrada e ritualística... e bem diferente pros nossos padrões. Decepar a cabeça dos vencedores? Eu hein! rs

CAMPO DE PELOTA e "TRAVE" POR ONDE A PELOTA DEVERIA PASSAR:





A beleza dos artesanatos se junta à beleza desse povo e à beleza das construções. E para completar há muitas árvores, pássaros que gritam no céu e sobre os galhos das árvores, lagartos que andam sobre as construções, homens, mulheres e crianças maias que falam conosco o tempo todo.








Esse lugar parece que nos segura pelo braço. Sinto uma certa angustia na hora de ir embora. Voltaria ali inúmeras vezes porque sei que cada vez veria coisas novas, porque esse lugar me trás paz e porque ali estou mais próxima dos maias. Vontade de ficar mais com essa gente, de conhecer seus pueblitos, ver seu cotidiano. Um dia voltarei apenas para isso. Saudade de Chichén Itzá.