segunda-feira, 26 de dezembro de 2011



22/12 (quinta-feira)
Dzibilchatlún
Ida para Vallodolid







Dzibilchatlún é encantador. Eu passaria dias ali em meio ao bucolismo de suas construções e ao delicioso vento fresco que sopra em nosso rosto durante todo o dia. Juntamente com uma capela construída por frades Franciscanos que ali chegaram no início de 1500 se encontram pirâmides e o belo Templo de las sete Muñecas.








Para completar esse paraíso há um cenote lindíssimo de fundo azul e águas transparentes. Cenote é um lago formado pelas águas de um rio subterrâneo. A paisagem fica mais encantadora ainda com as plantas aquáticas que estão sobre a água azul. De bobo esses franciscanos não tem nada...

O passeio foi muito agradável. Na volta comemos frutas enquanto esperávamos a moto-táxi que nos levou até o povoado mais próximo para pegarmos o ônibus para Mérida (cerca de 40min de Dzibilchatlún). Voltamos e comemos num restaurante mto simpático onde conhecemos alegres canadenses. Almoçamos batendo papo e depois voltamos para o hotel para pegarmos nossas para irmos para Valladolid.



21/12 (quarta)
Mérida
Celestún



Mérida é a capital da península de Yucatan. Depois que os espanhóis chegaram na cidade no início de 1500, ela rapidamente se tornou um das mais ricas da região. Vemos a influencia espanhola nas construções do centro e na imponente Praça da independência.
Há muitas pessoas pelas ruas e um comércio forte no centro.
Depois de comprarmos frutas e rodarmos um pouco para encontrarmos o local onde se pegava o transporte para Celestún, saímos de Mérida. O ônibus pára a todo momento e a pequena viagem torna-se cansativa.









Celestún é um pequeno povoado na ponta do litoral da península muito próximo ao Golfo do México. A praia tem mar azul e muitos pelicanos, gaivotas, Martins-pescadores e outros pássaros que dão vôos rasantes e ficam sobrevoando em bando os barcos onde os pescadores destripam os peixes.









É engraçado nosso sucesso por causa de nossos biquínis brasileiros. Durante um passeio de barco um senhor pediu para tirar uma foto comigo (eu já estava de vestido). Realmente temos outra relação com nosso corpo. Mesmo Analí, com seus 24 anos, tinha muita vergonha de ficar de biquíni na praia (eu lhe emprestei um biquíni meu pois ela não tinha).
Fizemos um passeio de barco pelo gigante mangue e no caminho vimos muitos pássaros. A paisagem lembra o caminho Valença-Boipeba na BA região de Camamu na Bahia. Muito bonito.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011



20.12. Terça
Passeio pelo centro
Catedral
Murais no Palacio de Bellas Artes
Chegada em Mérida







Hoje iremos para Mérida na península de Yucatan. Nosso vôo sairá as 17hs. Aproveitamos a manhã para andar pelo centro, Zócalo, visitar a catedral, comprar livros e ver os murais do Rivera.





No momento que adentramos a catedral estava acontecendo uma missa com cânticos em latim. Fico por alguns minutos paralisada, emocionada.







No Palacio de Bellas Artes vemos os imensos murais de Rivera, Siqueros e Orozco. O papel político dos artistas enquanto intelectuais.
Tínhamos pouco tempo, mas deu tempo de ver uma exposição fotográfica. Há fotografias de vários pueblos do norte mexicano na década de 1930 e de um filme também rodado em 30 na cidade de Vera Cruz. Os caras precederam o Cinema Novo e a Nouvelle Vague francesa.









quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

19.12 SEGUNDA-FEIRA
Ruínas da Cidade de Theotihuacan.
Mariachis






Teotihuacan ou Teotihuacán, é um sítio arqueológico localizado a 40 km da Cidade do México. Em aproximadamente 1:30h da capital chegamos até lá.
A caminho de Theotchuacan passamos pela periferia da capital mexicana. Quem já entrou em Salvador pela BR 324, em São Paulo pela rodovia dos Bandeirantes ou já esteve nas periferias da zona sul de SP ou de outras grandes cidades sabe que “a periferia é periferia em qualquer lugar”. De modo macro e micro, afinal estamos na Latinoamérica. O morro é agora de concreto cinza. O morro é monocromático.





Em Theotchuacan estão as pirâmides do sol e da lua. Incríveis. A mim me parece impossível ao chegarmos ao topo da pirâmide do sol (a mais alta) não refletirmos sobre o ponto em que chegou o homem e a nossa civilização, o que é desenvolvimento, progresso, ciência, conhecimento. O que é, para que e para quem existem.







Faz muito sol em Theotchuacan. Ao subirmos a pirâmide do sol é preciso parar a cada lance da escada para respirar. A cada lance a paisagem muda. A medida que ficamos mais altos estamos também mais pequenos. Penso nesse papel pedagógico da pirâmide: mostrar o quanto somos pequenos diante do mundo. Um certo temor ao mundo é também pedagógico. Ensina o respeito a ele. O homem moderno, senhor do mundo não o teme, ao contrário, o tem em suas mãos, o desrespeita o tempo todo. Tudo o que está ali em Theotchuacan ou em Nova York está por vontade e decisão humanas.





Ao chegar ao topo da pirâmide do sol entendo também porque os theotchuacnos conseguiam jogar seu futebol” com uma pelota tão grande e dura. Deviam ser os homens das super coxas. Fomos sentir os efeitos dos degruas na volta pra casa, ao subirmos as escadas do metro.





Passeamos por todo o sítio. Estamos felizes e curiosas. Sabemos tão pouco de tudo o que estamos vendo. Estar ali nos impõe uma obrigação. Lembro do que Maíra disse na noite anterior sobre seu desejo de querer ser professora de escola e sobre nossa discussão sobre a necessidade dos professores das escolas públicas serem altamente qualificados intelectualmente.

A pirâmide da lua é menor, mas não menos bonita. Entre as pedras que formam toda a construção há pedrinha redondas. Ângela lembra que parece uma imensa colcha de retalhos. E não será? Olhando de longe as pedrinhas parecem os pontos da costura feita por grandes agulhas. O senso estético aliado à uma geometria exata é primoroso.
Não conseguimos ver os murais de Theotchuacan. Terei que voltar.





Na volta para casa somos surpreendidos por uma batida policial. Maíra nos disse que isso é comum na Cidade do México. Há batidas policiais nas ruas, nas praias, nos ônibus. Nuno me disse que uma pessoa pode ser presa se for pega com uma lata de cerveja na Mao. Os policiais mandam todos os homens descerem do ônibus. O clima é tenso. Policiais femininas revistam nossas bolsas. Penso na naturalização dessa situação.
Após a saída dos policiais o clima tenso é quebrado por três rapazes que entram no ônibus com sanfona, violão e flauta andina cantando lindas canções, entre elas o hino do DF: “chorando se foi quem um dia só me fez chorar...”.







Ao chegar ao DF demos uma passada rápida na praça Garibaldi. Alí todas a noites se reúnem vários grupos de Mariachis que cantam e tocam para casais, famílias, grupos de pessoas. É tudo muito romântico. Lembro vagamente dos filmes de minha infância em que havia mariachis. Lembro de meu pai, porque ele de fato se parece com muitos eles. Fiquei meio intrigada com isso porque muitos senhores na rua lembravam meu pai. Lembro dele também porque as musicas dos mariachis se parecem com as sertanejas que ele gostava de ouvir na minha infância.. Lembro de uma recente expressão de revolta sua ao conversarmos sobre as ditas “sertanejas” atuais descartáveis.