sexta-feira, 6 de janeiro de 2012



03/01
Frontera Corozal é um pequeno povoado com algumas ruas e casas muitos simples e muitos, mas muitos perus nos quintais. Ah, e muitos cachorros nas ruas. Alguns moradores aproveitam a área de terra do quintal para plantar banana, cacau, laranja, milho urucum. O incrível desse povoado é que ele fica à beira do rio Usumacinta que faz divisa com a Guatemala.
Se atravessarmos o rio estamos em outro país.






Yaxchilán
Por meio deste rio também se chega à Yaxchilán, um belíssimo sitio arqueológico que fica cravado no meio da selva. Apenas de barco ou com pequenos aviões se chega à Yaxchilán. Tudo é incrível e mágico quando se fala deste lugar: no caminho pelo rio Usumacinta, além de suas águas de coloração marrom, somos acompanhados por garças, gaivotas, tucanos e crocodilos. Somos o primeiro grupo do dia que chega à Yaxchilán. Ângela e eu já nos desgarramos de nosso grupo (uma família de Guadajara) e fomos visitar a Pequeña Acrópole sozinhas. Ela está a uns 50m de altura e se chega a ela por uma escada de pedra em meio à selva. Parece que não se chegará a lugar nenhum, mas de repente damos de frente com uma bela construção em ruínas. Só nós duas e os gritos (assustadores) de muitos macacos estão ali. É emocionante. Deixamos nossa imaginação nos levar. Tiramos fotos, gravamos sons, ficamos sentadas observando a diversidades de imagens que estão à nossa frente, mas confesso que somos, ainda, bastante influenciadas pelos filmes da sessão da tarde, tipo King Kong, e sentimos um certo temor pelos mugidos dos macacos (é realmente assustador, são muitos e estão muito perto).
AS 3 PRIMEIRAS FOTOS SAO DA PEQUENA ACRÓPOLE







Em seguida fomos para a Praça Principal e andamos por dentro de uma construção junto com um rapaz que trabalha em Yaxchilán. Segundo ele, esse prédio era habitado pelos nobres. Em seu interior há uma espécie de labirinto com partes extremamente escuras. Adentramos o labirinto junto com ele e vamos os três de mãos dadas tirando fotos com flash para iluminar o caminho e ouvindo os gritos dos morcegos.
Na Praça Central há lindas árvores de todos os tipos e tamanhos. A belíssima e gigante árvore da vida e os elegantes Paus-mulatos também estão ali. Macacos Voladores e Macacos Arañas pulam de galho em galho. Há um casa de banho a vapor (!), uma série de estelas - barras de pedras nas quais lindas imagens sao esculpidas e a imponente Acrópole Grande onde se chega por meio de uma escada de 40m.
Bem, tudo isso muito resumidamente, porque há muito mais.
Yaxchilán é fantástico.


GRANDE ACRÓPOLE:


ÁRVORE DA VIDA:


CASA DOS NOBRES ONDE HAVIA O LABIRINTO:







02/01
Ruínas de Bonampak.

Com tudo meio mofado seguimos nossa viagem. De Palenque pegamos uma Van, fomos para Cruzeiro/San Javier e de lá pegamos um táxi para Bonampak. A estrada até Cruzeiro está em meio às escolas comunitárias e casas bastante simples. É a vida rural do México. Ao longo da estrada vemos muitas placas de incentivo à preservação do meio ambiente. Paramos para comprar galetitas em Ocosingo, uma cidade independente Zapatista. O coração bate mais forte.
“Aqui el pueblo manda y el gobierno obedece”



As ruínas de Bonampak, em meio à selva, são rodeadas por uma serra gigantesca. A visão a partir das ruínas mais altas é incrível. À nossa frente está a imensa serra que fica ainda mais bonita devido as nuvens que cobrem seu topo. O sítio arqueológico de Bonampak é bem pequeno, mas emocionante, porque lá estão belíssimos murais coloridos narrando acontecimentos importantes do povo que ali habitara, tais como a apresentação do filho do rei Chaan Muan II à classe dominante junto a uma importante procissão com músicos e mascarados de diferentes divindades; uma batalha realizada entre Bonampak e outro povo; cenas de torturas e de mulheres que furavam a língua em ritual de sacrifício.


MULHERES FURAM A LINGUA EM RITUAL DE SACRIFICIO:





REI Chaan Muan II APRESENTA O FILHO À NOBRESA:


ESTELA:



Os indígenas das barracas de artesanatos são muito bonitos. Usam túnicas coloridas e são em grande parte mulheres e crianças.
De Bonampak com o mesmo taxista, Marcelino, vamos para o povoado de Frontera Corozal, na fronteira com a Guatemala. Marcelino nos mostra com orgulho a parte da floresta que é cuidada pelo povo de San Javier, sua cidade. A outra parte, ao final de San Javier, é realmente dominada pela pastagem, pela agricultura ou está ociosa. A mata é escassa. Marcelino nos fala de 2 línguas que são faladas naquela região. É engraçado, porque nossa formação fonética não nos permite emitir alguns sons comuns para Marcelino. Brincamos um pouco com isso enquanto fazemos perguntas para ele. No taxi está conosco uma suíssa, Corina, e sua filha de 5 anos, Lu. Marcelino nos deixa em Frontera Corozal. Amanha pegaremos o barco para Yaxchilán.


1o. de Janeiro de 2012!

Passamos a virada do ano em Pan-chan ao som de uma animada banda que tocava muita cumbia, salsa e ritimos tradicionais. Bailamos por toda la noche. Foi bem divertido.
Durante o dia choveu quase o dia todo e na madrugada também (do dia 1 pra dia 2). Nossa linda e aconchegante cabana virou um aguaceiro só. Era goteira pra tudo quanto era lado. El rústico profundo!


31/12
Ruínas de Palenque.
As ruínas de Palenque ficam em meio à selva. Isso as torna ainda mais impressionantes. Podemos entrar na parte da selva próximas às ruínas, andar pelas árvores gigantes e banharmo-nos em uma cascata. Mais uma vez presenciamos a genialidade Maia em suas construções e arte, além do belo artesanato que se vende na portaria e dentro do sitio arqueológico.











Conhecemos um garoto de 16 anos chamado José que nos guiou por cerca de 3hs. José é muito inteligente, sabe muita coisa sobre Palenque, sua história e cultura e parece ter muito orgulho disso. Diz gostar muito do Brasil. Aprendeu a gingar capoeira com um canadense, sabe algumas músicas e tem o hino nacional do Brasil no seu celular. Ao final de nosso passeio perguntou-me se eu tinha uma moeda do Brasil para dar-lhe de presente. Dei-lhe uma de 10 centavos e uma nota de R$ 2,00.

Voltamos para a cidade para fazmos ligações para a família, mandar emails, comparar tequila para la noche (!) e comprar flores para serem jogadas pros santos brasileiros.






29 e 30/12.
Ida para Palenque

A ida para Palenque foi uma saga demorada e bastante cansativa. Resolvemos economizar e optamos por um ônibus 2a. classe que custava quase 3 vezes menos que o da 1a. O bus 2a. classe é o que transporta o mexicanos pobres. Da-lhe México profundo. Foram 12 horas em condições bastante precárias com pessoas - entre elas crianças - sentadas e deitadas pelo chão. Mais que cansativo e stressante foi realmente triste ver em que condições a maioria dos mexicanos viajam. Estávamos ali a passeio, mas eles enfrentam constantemente a realidade do transporte precário e sem segurança alguma. Em umas das paradas conhecemos um rapaz que ia para uma cidade depois de Palenque (imaginem, para Palenque gastamos 12 horas) que trabalha em Cancun como jardineiro de um grande hotel. Diz estar satisfeito com seu trabalho e estava feliz de conseguir folga para passar o ano novo com a família. Perguntamos se o transporte estava bem cheio devido à época do ano, mas ele nos disse que é assim cotidianamente. Segundo ele, as pessoas se aborrecem com as condições de vida e de trabalho em Cancum, sentem falta de seus familiares e preferem voltar para suas comunidades de origem.



Chegamos em Chiapas. A vegetação muda para um intenso verde. Há uma grande selva ao redor da cidade, muita umidade e uma população bem indígena. Chegamos à cidade as 6 da manha. Podres. Fomos para Pan-chan, uma indicação de Maíra e Raquel Gonçalves.
Pan-chan é um bosque lindo onde se alugam cabanas (espécie de quartinhos em meio a árvores, muitas plantas e bichos. Ficamos numa cabana por aproximadamente R$ 20,00 para duas pessoas). Como chegamos bem cedo, pegamos um passeio com uma agencia para uma a grande cachoeira Misol-ha, cuja queda deve ter mais 50m (não entrei. A água era escura e o poço muito fundo. Ângela mais corajosa entrou).

PAN-CHAN:


MISOL-HA:




Depois de Misol-Ha seguimos para as Cascatas Aguas Azuis.
O caminho para lá é lindo. Uma mata gigantesca fincada numa serra belíssima. A paisagem lembra muito a mata atlântica brasileira. As Cascatas Aguas Azuis são impressionantes. A água tem a cor do céu. Isso devido ao potássio e à coloração das pedras que ficam sob a água. São quase brancas. Há muitos pontos em que se pode banhar-se em piscinas deliciosas. As Cascatas ficam dentro de um parque bastante turístico. Há muitos gringos e pelo que pareceu pessoas das localidades e cidades próximas. Há uma boa infra-estrutura com restaurantes, banheiros e há muitas barracas com artesanatos dos grupos indígenas locais.

AGUAS AZUIS:




26, 27, 28, 29
TULUM


Apesar das contradições existentes em Tulum, não posso negar que foram dias bem agradáveis que passei ali. Andávamos de bicicleta por todos os lugares e durante todo o dia. Era prático, rápido e agradável. Comemos bem, pagando bem pouco (com menos de R$ 20,00 comíamos um prato com 3 peixes médios e uma porção de guacamole - para 2 pessoas) e ficamos hospedadas num hostel com um clima bem agradável que oferecia até aulas de salsa. Neste hostel encontramos 4 brasileiros (um casal de namorados e duas irmãs), mas, brasileiros - em comparação com europeus e norte americanos - são bem raros aqui.

O mar em Tulum é realmente lindo. De um azul profundo. Me arrependi de não ficar pelo menos mais um dia para aproveitar um pouco mais daquele mar. No dia 29 fizemos mergulho pelos corais. Nessa praia nada-se com as tartarugas, mas elas não me presentearam com sua presença. Foi uma pena. Angela viu três. Mas foi emocionante nadar naquela profundidade em meio aos coloridos corais - verdadeiras cidades habitadas por ouriços, algas, crustáceos, plantas, peixes - e a uma infinidades de peixes de diferentes tipos e cores. Foi lindo. Depois que me adaptei aos equipamentos, não queria mais sair do fundo mar.
HOSPEDAGEM: Hostel Lobbo Inn. Próximo à entrada das ruínas.




HOMEM CARREGA COELHO NA BOLSA NA VAN DE VOLTA DA PRAIA: